Síntese de opinião do livro Gestão educacional: Uma questão paradigmática de Heloísa Luck


Desenvolvido por Heloísa Luck, o livro tem com o objetivo fazer uma assimilação entre a comunidade e a escola, para promover avanços na educação. Esse livro faz parte da série Cadernos de Gestão e é voltado especificamente para o gestor escolar, propiciando uma verdadeira reflexão sobre sua pratica escolar diária e para profissionais da área que desejam adquirir conhecimentos sobre a gestão escolar na qual é pouco discutido pela sociedade. Se chegou até aqui, prepare-se para ler uma crítica bem longa.

A apresentação do livro é iniciada com uma proposta que transcorre enfatizando diferença entre a administração e a gestão educacional. A obra é destinada a todos os envolvidos no processo (Sociedade, pais, gestão, professores e etc.), tanto aqueles enquadrados nos segmentos de âmbito micro, no caso, "as escolas", e os de âmbito macro na qual se referem aos sistemas de ensino.

Na introdução, o livro enfatiza o atual modelo de educação brasileiro baseado no ensino conteudista livresco, que desconsidera a singularidade, a especificidade e emancipação humana. Heloísa Luck ainda propõe necessárias mudanças no contexto da educação brasileira na qual deve-se investir em propostas de internacionalização técnico-cientificas e na globalização econômica. A autora destaca ainda que nenhuma ação de setor isolado é adequada o suficiente para promover avanços consistentes, sustentáveis e duradouros no ensino, uma vez que a promoveriam ações localizadas, pouco duráveis e de curto alcance.

Reforça-se a importância da gestão educacional em que se propõem práticas bem como a visão de conjunto e a orientação estratégica de futuro, a mobilização de pessoas articuladas em equipe no objetivo de articular ações para maximizar resultados.

Heloísa foi feliz ao enfatiza que se deve pensar a mudança na educação em longo prazo e com um objetivo permanente, mas a realidade os esforços propostos ocorrem sem o entendimento dentre os significado sobre essa educação e seu entendimento, qual o propósito dessa educação e quais as implicações no processo como um todo. A autora ressalta que os sistemas atuais de educação estão marcados principalmente pela falta de liderança, falta de referencial e falta de orientação técnico-metodológica, a falta de perspectivas e de superação das dificuldades cotidianas, a promoção de novas estratégias dentre outros aspectos, sem falar na falta de recursos e os recursos que recebem são mal empregados que aumentam ainda mais as perspectivas frustradas e impedindo a promoção de mais significativas aprendizagens dos alunos, desperdiçam-se recursos, tempo e vários talentos humanos.

Reconhece-se ainda que as ações para melhorar a qualidade da gestão escolar da educação ao longo dos tempos estão sendo aplicadas de forma isolada e desenvolvida sem a análise dos resultados, bem como não há um continuidade do processo quando há a mudança dos gestores. A gestão educacional para Heloísa corresponde-se a gerir a dinâmica dos sistemas de ensino como um todo, afinado com as diretrizes e politicas educacionais para sua implementação bem como a implantação de projetos pedagógicos das escolas. Importante citar que nesse aspecto há a concepção de que a gestão supera a administração e não a substitui.

É essencial o conhecimento da realidade social para a aplicabilidade de qualquer projeto, sendo necessário às instancias federal, estadual e municipal um entendimento claro sobre a aplicabilidade de programas. A liderança do diretor e da coordenação da escola nesse processo se torna essencial, pois promove uma relação colateral entre os sistemas de ensino e a instituição. A importância da gestão da educação desde a organização dos sistemas aparece com o objetivo de superar a fragmentação desenvolvendo ações articuladas e consistentes.

Importante ressaltar duas características da gestão educacional nesse contexto, o autocontrole que equilibra autonomia e a participação e a responsabilidade voltada pela continuidade do processo pela melhoria da qualidade de seu trabalho e os esforços para melhorá-lo, uma vez que os sistemas de ensino são organismos vivos e dinâmicos e que interagem com outros sistemas em plena atividade para seu funcionamento. Porém esses sistemas de ensino do ponto de vista administrativo é de uma visão de ‘’cima para baixo’’, propondo autoritariamente processos participativos de decisão.

A gestão basicamente trata-se da relação da educação com a sociedade com as pessoas com o ensino e com os sistemas e a escola. Baseia-se na administração e possibilita o bom funcionamento das demais dimensões,  direcionando para uma concepção de mundo. O conceito de gestão abrange uma série de concepções tendo como foco a interatividade social, não considerada pelo conceito de administração, portanto, superando a.

A administração é vista como um processo de âmbito racional, fragmentado e organizado de cima para fora e de baixo para dentro das unidades de ação, bem como há a aplicabilidade do emprego de pessoas e de recursos mecanicista e utilitarista para que os objetivos sejam realizados.

Administrar teria por objetivo a comandar e controlar mediante a uma visão objetiva sobre uma série de pressupostos nas quais se subentende ao ambiente de trabalho, a crise ambiguidade e incertezas encaradas como problemas a serem evitados; o sucesso uma vez alcançado mantém-se por si mesmo e não demanda esforço de manutenção pelo seu desenvolvimento; 

  • A precariedade de recursos como empecilho a realização de seu trabalho; modelos e ações administrativas não devem ser mudadas a partir de concepções de permanência; a importação de modelos de ação que deram certo em outros contextos;
  • O participante cativo da educação, como são considerados os alunos e os professores efetivos em escolas publicas aceitam as determinações superiores e as cumprem; 
  • Qualquer exceção a normalidade e cumprimento aos modelos, normas e regras corresponde a uma disfunção  ser coibida com penalidades que vão desde advertências até a exclusão; 
  • Cabe ao administrador estabelecer as regras do jogo e não aos membros da unidade de trabalho; a evolução ocorre por incremento e agregação em vista que o ideal é crescer; 
A objetividade garante bons resultados.

Importante mencionar que cada escola é constituída e se construí com a própria experiência singular e é valorada como circunstancia única. 

Também é importante pontuar que a atual educação brasileira tais quais modelos implantados é resultado de fragmentações desconexas que assumem formas e agem independentes e isoladamente sem considerar o processo como um todo, reforçada ainda mais pela falta de linguagem comum, trazendo para a realidade uma visão distorcida do que a que se encontra no papel de uma escola perfeita e um aluno perfeito em todas as áreas.

É reforçado ao longo de todo o livro a questão da responsabilidade a expansão e sua limitação. Observa-se que a cada gestão que passa, não há uma evolução - mudança pelo reforço do neoliberalismo e pela culpabilização dos sistemas. Também são citadas algumas falas referentes ao corpo organizador de uma escola, culpabilizando o sistema e burocratizando a educação, que é um dos índices principais índices de insucesso das gestões escolares.

Sob o ponto de vista administrativo se observa uma centralização de autoridade sendo que essa centralização ocorre em organizações burocráticas de níveis hierárquicos, nas quais se formulam uma serie de problemas. 
Dentre os problemas citados:

  1. A homogeneização das políticas com o objetivo de ignorar as desigualdades e diversidades; 
  2. A falta de sensibilidade para necessidades reais; 
  3. A generalização da realidade como um todo; 
  4. A burocratização e hierarquização de controles a ações corporativas.

A descentralização nesse sentido é importante porque se considera e atrai ainda mais a participação e os princípios da democracia daqueles que irão atuar em programas de desenvolvimento, pois valoriza o profissional envolvido trazendo a sensação de que esse é importante no processo, uma vez que o processo educativo só muda se os envolvidos no processo tiverem ciência de suas responsabilidades. 

Luck enfatiza que na gestão de sistemas nas três esferas de poder (municipal, estadual e federal) corresponde a incentivar através da transferência de competência para a escola a fim de que se construa a sua própria autonomia.

No caso da gestão da escola é necessária a aplicabilidade de seu Projeto Político Pedagógico e o alto envolvimento da comunidade escolar incluindo professores, pais e a comunidade externa mediante diálogo aberto procurando ressaltar a cada um sua importância no processo educativo. É importante lembrar que o processo educativo é um processo que demanda longevidade e continuidade. A compreensão da visão, missão, valores e princípios assumidos pela escola bem como objetivos e metas devem ser levados em consideração para que se obtenham resultados consistentes e amplos.

Com relação a burocratização é pressuposto a algumas características para garantir seu bom funcionamento de acordo com o seu padrão de legalidade. Nesse sentido, uma instituição é burocrática quando:


  • Se caracteriza por organização contínua de funções limitadas por regras; 
  • Apresente esfera específica para cada função; 
  • Conjunto de funções seja organizado segundo uma hierarquia claramente definida, haja um conjunto de normas e regulamentos específicos e claros; 
  • Os meios de produção e de administração sejam segmentados de modo que não haja, em cada um dos setores, o sentido de propriedade sobre os resultados; 
  • Haja seleção de candidatos ao exercício das funções específicas.

     Vale lembrar que a burocracia tem uma finalidade e é colocada sobre todas as coisas e é mantida para estabelecer sempre aos nossos interesses. Por fim, temos a burocracia como mecanismo de livramento de responsabilidades e culpas, para justificar a falta de compromisso nos mais amplos conceitos, principalmente aos os que se referem à educação. É fundamental considerar a sinergia do grupo em instituições educacionais a fim de que se obtenha reciprocidade dentre os membros, a ao mesmo tempo não desconsiderando sobre o elemento cultural, uma vez que esse também é fator de forte influencia no processo de educação.

Por fim, é reforçada a concepção de que a administração tem suas limitações e como a gestão não a substitui e sim as supera, tendo como ponto chave a visão de cada uma sobre o processo educativo. Por fim, o livro destaca algumas concepções características sobre gestão e sobre administração. É bem detalhado, porém repetitivo em alguns pontos, mas a leitura é gostosa pelo fator linguagem popular.


REFERÊNCIAS

LUCK, Heloisa. Gestão educacional: Uma questão paradigmática. Heloísa Luck. 12. Ed. – Petrópolis – RJ. Vozes, 2015, Série Cadernos de Gestão.

NOTA: 9.0

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