CRÍTICA SOBRE O LIVRO O ''PODER DO AGORA'' DE Eckhart Tolle



O livro O Poder do Agora de autoria de Eckhart Tolle é um livro de autoajuda que em sua introdução trás como proposta um verdadeiro guia espiritual que remonta a tonicidade de como perdemos tempo com as memórias e como nos lamentamos com o passado, a culpa e também com a ansiedade e as perspectivas de futuro. Muitas vezes o próprio futuro nos deixa refém de uma desconfiança que é alimentada pela descrença na vida e pelas relações sociais na qual estamos inseridos. 

O interessante nesse contexto vem a baila estrutural de que o certo seria viver a vida intensamente como se ''não houvesse um amanhã'', a frase é cliche mas é a verdade pois assim conseguiremos alcançar a autonomia, emancipação e independência em todas as áreas da vida bem como desenvolvimento da inteligência /intelectualidade para lidar com os temas da vida cotidiana.

Segundo a autora, uma das saídas para se conseguir a emancipação seria uma profunda autoanálise de si mesmo através do campo espacial que o indivíduo está inserido e nas relações com as pessoas e com as próprias ações. 
Estudos científicos mostram que a meditação ajuda profundamente a modelar essas relações de si com o mundo, mas também consigo mesmo. O livro em si remete a ideia da construção da ‘’inteligência emocional’’ e apresenta muitas vezes de forma metódica e sistematizada situações nas quais é possível aplica-las.

O livro é um pouco monótono, confesso, isso até o capitulo oito que é denominado ‘’Relacionamentos Iluminados’’ nas quais aborda uma visão mais clara e objetiva do que o livro realmente defende. Vale ressaltar que além dos ensinamentos espirituais o livro também pontua questões no campo relacional físico e nas interações do com o mundo. Nesse sentido, pontuo algumas questões importantes que devem ser levadas em consideração ao interpretá-lo ou tomar juízo de valor. 
Segundo a autora, para você viver a sua realidade precisa tomar alguns cuidados importantes tais quais:

1. O “Eu” que você apresenta para o mundo é diferente do seu “Eu” interior que é o seu “eu” verdadeiro, para buscá-lo você deve silenciar a mente e viver o momento, o agora. Para isso, é importante relacionar as práticas simples como de tempos em tempos e observar a respiração, o movimento de entrada e saída de ar dos pulmões, de forma leve e pausada.

2. Muitas vezes nos perdemos entre nós mesmos e acabamos nos submetendo a um mundo cheio de ilusões. Ao perceber que uma situação saiu do controle ou que estamos está fora de si, experimentamos observar as emoções como um terceiro espectador despretensioso para isolar sentimentos que não são reais e aos poucos voltar a si, voltar para o agora.

3. É impossível progredir na vida achando que a existência está sob o controle de outras pessoas, o sujeito ativo sempre teve o controle de tudo mesmo quando decidiu não ter o controle. Ou muda-se a situação ou aceita a situação que lhe causa incômodo.

4. Às vezes criam-se objetivos grandiosos demais e muito distantes da realidade que acabam nos levando a desistência. É relevante pensar em algo desafiante, mas atingível, movimentos constantes em direção a um alvo maior são mais importantes do que ações isoladas que possam ser consideradas grandiosas.

5. A meditação é uma arma que poucos sabem usar, descubra a força que ela proporciona dedicando parte do dia a prática em um horário onde possamos parar suas ações externas e simplesmente focar no agora, respirando pausadamente e libertando a mente de tantos pensamentos e problemas.

O fato é que o livro é bastante profundo e enriquecedor. Mostra detalhadamente as ações e o fenômenos da simplicidade que muitas vezes podem ser deixadas de lado e que podem ser dominadas se as seguidos de forma atenciosa e ativa.




NOTA: 8.2

CAPITULO: CONSCIÊNCIA: O CAMINHO PARA ESCAPAR DO SOFRIMENTO

FRASE MARCANTE: Mas, sem o tempo, qual seria a razão de nossa existência? Não teríamos objetivos a alcançar, nem mesmo saberíamos quem somos. O tempo é algo precioso e acho que precisamos aprender a utilizá-lo com sabedoria, em vez de desperdiçá-lo. (p.35)


Referencias: 

Tolle, Eckhart, O poder do agora1948 / Eckhart Tolle [tradução de Iva Sofia Gonçalves Lima]; Rio de Janeiro: Sextante, 2010.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Fragmentos de poder: o vácuo que nunca fica vazio

A Crônica das manifestações dos 0,20 centavos em 2013.