A Crônica das manifestações dos 0,20 centavos em 2013.
Terça-feira, 13h34min da tarde
18 de junho de 2013, São Paulo.
Éramos eu, Dayse, Maurício e Júnior. Fomos ao Masp, museu de arte histórico famoso no centro da capital de SP. Dia de sol forte e nossas roupas estavam suadas pelo sol forte e estávamos morrendo de sede. Paramos em um restobar ao lado da avenida paulista chamado Charme da Paulista, um local bem frequentado e conhecido na região por suas noitadas e pelo seu modesto espaço em meio à cidade cinza coberta de concreto e aço.
Às 15h33min um rapaz liga um radinho de pilhas e o garçom do bar liga a televisão e já trazia uma notícia em meio a tantas outras em um telejornal qualquer de que o governo do estado de São Paulo resolve aumentar o preço da passagem de ônibus em 0,20 centavos, ora, nada de tão surpreendente, uma vez que o governo adora taxar a população.
Senta-se à mesa um senhor, pediu e bebeu várias e várias latinhas de gim, bebidas quentes, um prato de comida, bebeu um copo d’água, pagou a conta e todo sério foi embora.
Chega no bar uma pessoa gritando alto aos que estavam ali para que saíssem e que a tropa de choque estava a chegar para dispersar os grupos de protesto que se formaram ali e iria sobrar para todo mundo. Claro, nem demos tanta importância assim, o sangue de todos na mesa já estava coberto de álcool, malte e lúpulo, no clima quente daquela tarde.
Pagamos a conta e fomos embora, cada um para um canto em meio a milhares de gente vestidos de verde e amarelo com o brasão da CBF - Confederação Brasileira de Futebol e com uma faixa escrita ''Impeachment Já'' com a foto da então presidente da época.
Fiquei surpreso! oras, nem era jogo da seleção e nem estávamos em época de copa do mundo, mas depois de um tempo, quando mais sóbrio me dei conta que o que ocorria. Uma faixa dizia ''não é por causa dos 0,20 centavos, mas pela corrupção que envolveu essa república de bananas chamada Brasil.'' Inclusive resolvi aderir o termo ''república de bananas'' ao longo da vida e utilizo até hoje quando me refiro ao Brasil. Na época, o que começou em São Paulo já tinham tomado todo o Brasil e era só o que comentavam.
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| Foto: Fernando Guifer (2013). |
Parei um casal que vinha na minha direção contrária e perguntei o motivo desse manifesto em plena sexta feira da tarde e me eles me disseram que se tratava de um aumento de 0,20 centavos na passagem de ônibus coletivo da cidade e confirmei o que já suspeitava por ter ouvido a notícia ainda no restobar.
Outro rapaz que estava ao meu lado conversando com amigos soltou um ''isso tem dedo de oposição política, nosso país nunca esteve tão polarizado quanto antes'' e me fez refletir.
A verdade é que político nenhum está nem aí pra ninguém e o sistema parece uma looping eterno mais ou menos assim:
Chega eleição, eles vão atrás de votos,
Quando eleitos, não dão nem bom dia,
Passam-se quatro anos, vão atrás dos mesmos votos
São reeleitos.
Isso quando não há nepotismo, cargos comissionados, rachadinhas, funcionários fantasma e infelizmente isso se tornou banal na política do país. E a reforma política? Só nada meus consagrados.
A verdade é que o Estado Brasileiro sempre foi uma máquina enorme de fazer dinheiro e a fiscalização também faz parte do ''esquema'' e de vez em quando para fingir que a organização de fiscalização funciona e quando um deles é pego, existe a lei para libertá-lo e o tal da prerrogativa de função, o chamado "foro privilegiado" e o ''jeitinho'', sem contar que, os que aqueles que querem entrar no sistema, não estão nem aí para a função pública e veem na política uma forma fácil de atingir a liberdade financeira.
E quando há protestos como esse, existe a força repressora da polícia para os proteger. O problema do Brasil é apenas o ''resultado'' de como o brasileiro vota mal e depois esquece de cobrar, de fiscalizar e analisar o cenário e vou mais além a dizer que isso é uma questão de cultura e que levaram-se anos para mudar essa mentalidade, talvez até décadas. Isso tem muito mais a ver com a questão ética do que com a questão moral, e como sabemos, ninguém muda ninguém a não ser a si mesmo.
Outra verdade que vem sendo distorcida ultimamente é que o brasileiro detesta política, por isso sempre foi mais fácil acreditar nas mídias tradicionais como o rádio e a televisão pelo alcance que tinham na época da mídia tradicional, oras, estamos falamos de 2013, cinco anos após a revolução tecnológica, contudo parece que pelo menos isso está mudando, meio tardiamente, pelos resultados dos bombardeios de informação a cada minuto que estão mais fluidas e de fácil acesso.
A duvida é: Será que estaremos vivos quando houver essa nova mentalidade ou iremos continuar atrasados pelo senso comum na continuidade de ser motivo de chacota para os países de primeiro mundo?
Só o futuro dirá. Até lá, vamos trabalhar.

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