A Dimensão Ética da Educação Freiriana




Resumo: O presente artigo foi realizado a partir de estudos feitos das obras de Paulo Freire ‘‘Pedagogia da Autonomia e Pedagogia do Oprimido’’. Dissertarei sobre as convicções no que se refere à dimensão ética da educação Freiriana, a importância do professor progressista, a autonomia através de uma pedagogia para a libertação onde o autor compreende como um dos saberes importantes para a práxis docente do professor progressista. Esse artigo ainda trás consigo as criticas de Paulo Freire ao neoliberalismo na qual Freire expõe seus pensamentos em elementos como a globalização e ao capitalismo, os culpados da concretização do fatalismo neoliberal, a educação bancária que ajuda a fortalecer esse fatalismo neoliberal, a importância do professor através da conscientização, mostrando ao indivíduo de que ele deve buscar sempre o ‘’querer mais’’ através da formação do senso crítico e como a importância do diálogo na formação e emancipação do homem como ser transformador do meio em que habita através de uma educação singularizada pode dar ao sujeito a autonomia.

Palavras-Chave: Ética, Educação Singularizada, Autonomia, Neoliberalismo, Educação Freiriana


1.      Introdução
Freire (1996) em sua obra “Pedagogia da Autonomia” enfatiza a forma atualizada de ideais criativas e estimulantes para praticas pedagógicas em que o professor deve utilizar no seu cotidiano dentro e fora da sala de aula e em todos os níveis de escolaridades, para que ocorra sempre a discussão de ideais e conceitos entre professores e alunos. Um processo em que o aluno construa sua autonomia, valorizando sua cultura e conhecimentos de acordo com a sua subjetividade e individualidade
.
Ainda nessa obra dedicarei uma parte para descrever sobre a ética, mas não é a ética que se curva especialmente com o objetivo do lucro e sim a ética que crítica o ‘’falsear’’, o ‘’iludir’’ que agride o ser humano e apoia comportamentos imorais na discriminação racial, de gênero e classe. Ressalto ainda a importância do professor abordando como práxis pedagógicas o pensar certo em desenvolvimento de uma autonomia, essa importante para a práxis docente do professor progressista. Nesse sentido a relação dialógica possibilita o sujeito uma abertura para o mundo partindo de suas inquietações e curiosidades epistemológicas.

         Diante dessas considerações, este artigo tem como finalidade abordar o conceito que  a ética universal de Paulo Freire nas múltiplas dimensões apresenta argumentação, indagações, caminhos e certezas sobre condicionamentos ético-morais trazendo ainda uma abordagem ao modelo a de educação freiriana com as criticas, a visão neoliberal da educação segundo Freire e a formação da autonomia do educando.

2METODOLOGIA

  O presente artigo foi realizado a partir de leitura previa da obra de Paulo Freire (1996) “Pedagogia da Autonomia” e ''Pedagogia do Oprimido'' as obras de maior destaque de Freire.
  Foi realizada uma pesquisa referencial para a construção desse artigo transcorrendo uma leitura previa dos livros, e em seguida uma leitura sistematizada destacando partes importantes para que fosse realizada a dissertação dos temas mais abordados segundo Paulo Freire.

      A Dimensão Ética da Educação Freiriana

Freire (1996) afirma que a ética não pode ser separada da prática e que os educadores devem expô-la e ser trabalhada exemplificando com os conteúdos trabalhados e deverá expor para os educandos as obras em que os educadores concordam e discordam, com as ideias dos autores referenciados demonstrando com isso a analise crítica, porém, sem deixar a ética de lado em relação a opiniões contrarias dos demais autores, transmitindo assim, o respeito e analise a postura dos diferentes tipos teleológicos dos demais autores.

   O professor em sua pratica educativa segundo Freire (1996) deve seguir rigorosamente a ética, já que possui caráter formador e deve respeitar sempre a individualidade e os conteúdos repassados devem estar voltados para a formação e não só para acúmulo de informações. E, claro, como somos seres inacabados de experiencia temos a consciência da opção de decidir aceitar ou negar a ética implícita em cada um.

     Para Freire (1996) a possibilidade de desvio ético só poderá receber a designação de transgressão e que ao professor cabe respeitar as curiosidades, linguagem e o contexto no qual o mesmo está inserido para que não venha tornar-se um professor autoritário. O professor ao ser questionado pelo aluno sobre um determinado tema na qual não tenha conhecimento claro, deveria informar que não obtém tal resposta concreta sobre o questionamento, mas que isso não o impede de buscar a resposta para a pergunta que foi realizada e nesse contexto a ética aparece com a humildade do educador para o educando já que o modelo de educação de Freire o educador e educando aprendem juntos.

O Professor Progressista - A Retidão ética - O Desenvolvimento da autonomia do educando.

            Freire (1996) em sua pedagogia da autonomia relaciona a prática do professor progressista com o ‘’pensar certo’’ visto que um dos principais saberes de suas práxis pedagógica é o desenvolvimento da autonomia. O pensar certo se exerce plenamente do processo de comunicação entre educador e os educandos.

‘’Quem pensa certo está cansado de saber que as palavras a que falta a corporeidade do exemplo pouco ou quase nada valem. Pensar certo é fazer certo. ’’ (FREIRE, 1996 p.18)

Partindo disso, considerar que o pensar certo é uma busca incessante pela segurança na argumentação da comunicação, visto que é plenamente só o pensar certo ou imaginar como tudo deve acontecer de forma coerente e com a certeza de que devemos agir e fazer certo. Com este processo de comunicação e compreensão, o professor progressista desenvolve no educando sua capacidade de relação dialógica:
 ‘’O sujeito que se abre ao mundo e aos outros inaugura com seu gesto a relação dialógica em que se confirma como inquietação e curiosidade, como inclusão em permanente movimento na história. ’’(FREIRE, 1996, p. 133)
O professor progressista a partir de suas inquietações e curiosidades epistemológicas desenvolve potencialidades críticas, possibilitando uma leitura política de mundo. Portanto, os professores progressistas desenvolvem uma promoção à criticidade exigindo uma ética, que, por sua vez, possibilita ao homem a consciência de que como seres históricos sociais são capazes de se desenvolver como ser crítico e aprimorar seu desenvolvimento de autonomia.

O QUE SERIA UMA PEDAGOGIA PARA A AUTONOMIA?

      Ao pensarmos em autonomia nos vem à cabeça a ideia de independência. E quando relacionamos Autonomia e Pedagogia pensamos numa prática pedagógica que leva o educando a um autodomínio do seu pensar e, consequentemente, do seu modo de agir, mas ao mesmo tempo em que a Pedagogia da Autonomia visa o autodomínio tanto do pensamento quanto da ação do educando, cria-se uma relação de reciprocidade e acolhimento com o educador  para que esse processo seja um sucesso. Diante disso, Freire (1996) diz que, “não há docência sem discência” e “vice-versa”. É uma relação na qual professor e aluno aprendem juntos, ou seja, protagonizam uma práxis em comum, e para desenvolvê-la precisam estar atentos a essa relação. Paulo Freire advoga ainda que o “pensar certo” é um dos recursos indispensáveis para o desenvolvimento da desejada autonomia. Podemos colocar o significado do pensar certo da seguinte maneira:

Ter rigorosidade metódica; pesquisar; respeitar os saberes do educando; ser crítico; ter uma formação ética e estética; corporificação das palavras através do exemplo; risco; aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação; reflexão crítica sobre a prática; reconhecimento e a assunção da identidade cultural (FREIRE, 1996, p. 11-26).

A partir da colocação exposta podemos afirmar que o bom educador é aquele que fala e age com coerência expondo seu ponto de vista sem desrespeitar a opinião do outro, agregando os valores culturais em prol de novas descobertas. Tendo a sensibilidade de acolher os conhecimentos prévios do seu aluno respeitando sua singularidade. Ver na diferença possibilidades e não preconceitos e não se abalar com o novo e fazer dessa novidade um motivo de superação. Buscar respostas, porém estar sempre a se perguntar.
É necessário sempre o questionamento sobre a prática educativa e envolver-se de corpo e alma nessa caminhada. Ensinar e aprender são antes de tudo um ato de amor para com o outro buscando sanar suas dificuldades e a descoberta de um mundo melhor para todos.

Ética universal do homem x fatalismo neoliberal

A pedagogia de Paulo Freire como já vimos é focada na ética e no respeito a dignidade da autonomia do educando e em vários tópicos que trata o livro Pedagogia da Autonomia vimos a importância que o autor impõe seu modelo de prática pedagógica baseado na ética. Para ele o conhecimento é construído através da percepção do homem com o meio, como um ser livre e crítico por meio de uma prática educativa singularizada e da relação entre docência e discência, professor e aluno.

"Ensinar, aprender e pesquisar lidam com dois momentos do ciclo gnosiológico: o em que se ensina e se aprende o conhecimento já existente e o que trabalha a produção do conhecimento ainda não existente. ’’ (FREIRE, 1997, P. 31). 

Educador e educando aprendem juntos assim sendo o professor não como um simples transmissor de conhecimentos, mas sim um indutor, estimulador da criação desse conhecimento.

Paulo Freire chama de Educação Bancária o método de ensino onde o professor é aquele que sabe tudo e deposita e/ou transmite conhecimentos ao aluno que apenas recebe, memoriza e repete o que lhe é transmitido aprendendo mecanicamente e a  relação entre os indivíduos é verbalista e considerada autoritária, despreza e não valoriza o saber do educando, não há conhecimento crítico, nem diálogo para que se tome consciência sobre a realidade do indivíduo sendo que a educação emancipadora constrói sujeitos autônomos e pensantes e é uma educação crítica e transformadora, oposta a educação bancária voltada para fabricação de mão-de-obra para satisfazer as necessidades do mercado que remete as políticas neoliberais da educação considerando a escola como uma empresa e os alunos clientes consumidores.

Através da prática educativa baseado na ética o educador assume a função docente com responsabilidade e respeito ao aluno durante o processo de aprendizagem, levando em consideração valores costumes e sua cultura. É necessário respeito ao conhecimento que o aluno traz para a escola aliado a compreensão de que ensinar e formar o indivíduo é muito mais do que apenas treinar. Educação é inclusão. Considerando o indivíduo como um ser inacabado e inconcluso, Freire diz que o verdadeiro sentido da educação é formar seres mais éticos, políticos e responsáveis através de uma pedagogia voltada para a ética de respeito e a autonomia do educando.

Paulo Freire criticava a prática neoliberal, aliás, o neoliberalismo é totalmente contrário ao seu pensamento central. Cita ainda que “A questão da formação docente ao lado da reflexão sobre a prática educativo-progressista em favor da autonomia do ser dos educandos é a temática central em torno que gira este texto’’.

      ‘’O neoliberalismo abomina o sonho, naturaliza a desigualdade, nega a esperança, pois considera o futuro como já sabido, determinado, considera a educação uma fatalidade'' (FREIRE 1996). Pela ótica, o futuro é de possibilidades, e devemos lutar e combater as razões que nos levam a desesperança que nos deixam imobilizados.

“Não posso, por isso, cruzar os braços fatalistamente diante da miséria, esvaziando, desta maneira, minha responsabilidade no discurso cínico e “morno”, que fala da impossibilidade de mudar porque a realidade é mesmo assim”. (FREIRE, 1996. P.06)

AS CRITICAS DE PAULO FREIRE AO NEOLIBERALISMO, ÉTICA DE MERCADO, EXCLUSÃO E ALIENAÇÃO.

As criticas de Paulo Freire ao neoliberalismo são correlacionadas à educação bancária na qual ele criticava, pois para ele esse tipo de educação consistia em criar seres humanos vazios de diálogo e criticidade onde as consequências consistiam na deformação da criatividade tanto do educador quanto do educando uma vez que:

‘’O ensino ‘’bancário’’, que deforma a necessária criatividade do educando e do educador, o educando a ele sujeitado pode, não por causa do conteúdo cujo ‘’conhecimento’’ lhe foi transferido, mas por causa do processo mesmo de aprender, dar, como se diz na linguagem popular, a volta por cima e superar o autoritarismo e o erro epistemológico do ‘’bancarismo’’. (FREIRE 1996, p.13)

O que percebemos nesse contexto é a pressuposição ética na obra freiriana na qual a humanização é o principal objetivo contra o fatalismo neoliberal. Porém o que se observa na educação atual que além de estar totalmente voltada aos interesses da classe dominante, também é resultado de um sistema falho e de uma gestão administrativa e docentes que tratam a docência como apenas um complemento de renda, bico, ou apenas um passatempo onde:
 ‘’Uma das formas de luta contra o desrespeito dos poderes públicos pela educação, de um lado, é a nossa recusa a transformar a nossa atividade docente em puro bico’’. (FREIRE 1996, p.40)
Paulo Freire defendia uma educação voltada para a libertação e humanização do ‘’ser’’ através da pedagogia popular e observou no diálogo a ferramenta de resposta contra a opressão imposta pelos grupos dominantes. Nesse sentido, o diálogo passa a tornar a educação mais problematizadora e propicia ao sujeito a racionalizar, formando assim a criticidade na qual segundo Freire 1996 diz que ‘’o sujeito se abre ao mundo e aos outros inaugura com seu gesto a relação dialógica em que se confirma como inquietação e curiosidade, como não conclusão em permanente movimento da história’’. Nesse sentido, temos o homem como um ser social e singular e a singularidade e o contexto social como consolidação da educação freiriana.
O que podemos observar é que o objetivo de Paulo Freire é conscientizar o homem de que a educação é um ato político, não por causa do educador, mas sim pela ética e diálogo que as envolvem e que essa educação é libertadora porque o indivíduo pode modificar o meio social, uma vez que além de libertadora essa educação é ideológica e pode distorcer a realidade dos fatos se não for movida de criticidade e curiosidade e de pesquisa.

A educação através da singularidade do homem possibilita ao oprimido a possibilidade de realizar uma profunda transformação sócio histórica diferenciando-o da  domesticação e conscientizando sobre a superconcorrência de mercado que se inicia já na própria escola com o modo como os indivíduos são moldados pelo estado, acabando por fortalecer ainda mais o neoliberalismo e as diferenças culturais em uma sociedade que prega o consumismo, onde só é bem visto quem consome e quem tem um padrão de vida mais elevado ou quem tem um título acadêmico em um curso amplamente disputado. Nesse contexto surge a importância do professor, conscientizando seus alunos de que o fatalismo neoliberal só teria sentido para o empoderamento de pequenos grupos uma vez que:
Uma das eficácias de sua ideologia fatalista é convencer os prejudicados das economias submetidas de que a realidade é assim mesmo, de que não há nada a fazer, mas seguir a ordem natural dos faros. Pois é como algo natural ou quase natural que a ideologia neoliberal se esforça por nos fazer entender a globalização e não como uma produção histórica. (FREIRE 1996, p.80)

Com isso, a Educação não deve ser orientada pela ideologia empresarial ou pela competitividade e sim pela criatividade e subjetivismo fazendo com que o oprimido tenha voz e que sua voz possa ser ouvida e o educador com o papel de facilitar na conscientização do educando de modo a mostrar que ele é o agente transformador da realidade.
A Globalização sendo um dos processos ideológicos do capitalismo e a mídia, tem sob o comando o próprio neoliberalismo que vem conseguindo através dos tempos transformarem a educação em sociedades de classes fazendo com que a educação se consolide em uma educação bancária ou em uma educação para o treinamento, a modo que tenhamos um tratamento não singularizado, estimulando cada vez mais o individualismo, a competição e a exclusão.

As críticas a seu pensamento e a seu modelo de educação

A metodologia educacional de Paulo Freire era algo considerado perigoso pelo poder político da época (regime militar) através de ideologias como “conflito de classe” e ‘‘consciência’’ temas até então utilizados na doutrinação marxista, na qual esse nem seria o foco principal de seus ideais.

A ideia de educação para a autonomia do indivíduo causou espanto e desconfiança, pois em um mundo voltado para o sistema capitalista, uma educação pautada na ética seria uma mera ilusão de um idealista sonhador, uma vez que seria difícil implantar esse modelo de educação baseada no principio de que o indivíduo tenha consciência de sua participação no meio em que vive modificando-o já que o sistema capitalista exige das escolas que formem mão de obra para o mercado de trabalho e não para a autonomia:

‘’A liberdade de comércio não pode estar acima da liberdade do ser humano. A liberdade de comércio sem limites é licenciosidade do lucro. Vira privilégio de uns poucos que, em condições favoráveis, robustece seu poder contra os direitos de muitos, inclusive o direito de sobreviver. ’’ (FREIRE, p. 48).

 CONSIDERAÇÕES FINAIS
           
O que se pode observar ao longo desse artigo com relação ao modelo de educação freiriana é que a formação do indivíduo não é pautada somente em âmbitos de conteúdos, mas sim em um embasamento forte da ética do educador para com o educando através da singularidade e criatividade. Nesse contexto, a educação bancária tão criticada por Freire sendo cada vez mais fortalecida pela globalização, pelas forças midiáticas e pelo capitalismo, fazendo com que a educação seja menos singularizada oferecendo ao educando uma educação para o mercado e não para a vida formando-o para vir a ser mão de obra vazia de diálogo e criticidade possibilitando o fortalecimento do neoliberalismo e a expansão da alienação.
Observamos que o ‘’pensar certo’’ tão exposto nas obras de Freire é um convite ao ‘’ser mais’’ buscando adquirir outros pontos de vista formando assim a autonomia do sujeito. O Diálogo como a arma mais poderosa contra o neoliberalismo e a exclusão oferece ao oprimido um novo olhar de que o mesmo pode ser mentor de suas ideias e modificador do meio em que vive.



REFERENCIAS
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido, São Paulo: Paz e Terra, 1995.

NOTAS: 
Pedagogia da Autonomia: 8.5
Pedagogia do Oprimido: 9.3

Frases Marcantes:

Pedagogia da Autonomia -  ''Ter rigorosidade metódica; pesquisar; respeitar os saberes do educando; ser crítico; ter uma formação ética e estética; corporificação das palavras através do exemplo; risco; aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação; reflexão crítica sobre a prática; reconhecimento e a assunção da identidade cultural. ''


Pedagogia do Oprimido: -  “Não posso, por isso, cruzar os braços fatalistamente diante da miséria, esvaziando, desta maneira, minha responsabilidade no discurso cínico e “morno”, que fala da impossibilidade de mudar porque a realidade é mesmo assim”.

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