É com satisfação que apresento meu amigo Nietzsche
Em 1985, andava por uma calçada de mármore em Pituba/Salvador - BA e li grafitado num muro HIER IST ZARATUSTRA, conhecia um pouco de alemão e me chamou atenção. Ouvi falar o nome Zaratustra, despertou a curiosidade e quis saber quem era.
Não fiquei inculcado e comprei um livro de pensadores.
Um pensamento de Nietzsche revelava: nossos pensamentos e sentimentos não são nossos, são dos nossos pais e dos pais são dos avôs e sucessivamente. Pirei, estava todo posudo, dono da verdade, afinal tinha vindo do movimento de 1968, marxista, da ordem da social democracia extrema do AL-5.
Tínhamos visão crítica e já condenávamos as barbáries durante a revolução russa, chinesa e cubana então por achar complicada a leitura de Nietzsche nunca li um livro completo, claro que depois de tanta ''encucação'' eu tinha que ler para dizer que era intelectual narcisista. Mas o lido foi suficiente para a alegria do espírito livre. Minha primeira reencarnação em vida, afinal a merda desta vida é a promoção da saúde do corpo e quanto mais reencarnações em vida melhor ainda.
E o ganho não é meu, pois se não houvessem ancestrais que seria de nós? O ganho é do pensamento e sempre é tempo de pensar. Isto estou eu, com o corpo fudido e o juízo sadio graças a curiosidade que me levou a buscar e conseguir vitórias. A primeira, claro contra mim mesmo. Não corri da luta e em nome da paixão pelo juízo comecei a amar vocês leitores críticos.
Afinal mitos, ídolos e santidades para derrubar, primeiro precisamos banir os mitos ganhos como presentes divinos no passado. Imaginem este amor nas celebrações em praças públicas, até em um só tem três. Tem o bom que não julga porque não quer ser julgado e tem o bom que não julga porque reconheceu os próprios erros e mesmo querendo distância não para de desejar bem. E tem o terceiro que perdoa para receber as bênçãos divinas. É mais ou menos assim:
"Um julga
Dois discutem
O terceiro é o juiz"
Esse último inclusive com o veredito final do desfecho, ele pode tanto aliviar a barra como pode te foder os juízos até deturpar a mente e fazer chorar.
Nietzsche era louco em dizer, sem três não há. Sinceramente não lembro onde Nietzsche registrou isto, mas não sou leviano e sei que veio de uma fonte.

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