Gestores empresariais e a Política: Uma parceria futura?

    As acepções de gestores empresariais no poderoso mundo da política nos dias atuais

       Recentemente ocorreram as eleições estaduais em todo o país. Aqui em Teresina - Pi continuam as velhas e mesmas "caras" políticas de mais de 20 anos e sempre naquele mesmo esquema do nepotismo nada de anormal, mas o foco desse texto não é sobre o nepotismo ou sobre os candidatos cascudos desse país. Algo que me chamou a atenção nesses últimos 10 anos se refere a grande presença e aparições de gestores de empresas e donos de multinacionais se aventurando no mundo político e as dúvidas que se geram em torno desse assunto cabem as seguintes questionamentos como por exemplo, a politicagem para si mesmo? politicagem para benefícios de suas empresas? Mais fácil isenção de impostos para suas empresas? Mais poder e controle maior da corrupção e do desvio de verbas públicas para suas contas bancárias? Facilitações em contratos e empreiteiras?
 
      Nesse contexto o que se deve gerar discussão e a provocação inerente é a clara certeza de que gerir uma empresa, embora gigante é muito diferente de gerir um município, estado ou nação, e nessas condições por conseguinte, sobram duas facetas na qual esse poderio de gestores empresariais na política pode ser algo proveitoso e dar certo ou pode ser um fiasco e destruir de vez as políticas públicas conquistadas há anos pelos trabalhadores e talvez até ferir a CLT mais do que já está ferida com tanta insegurança jurídica. Só a ressaltar rapidamente que o STF já nem faz mais seu principal  papel na sua eficácia que seria a guarnição e manutenção e o fornecimento a segurança jurídica e as leis desse país. 
   
     Nesse sentido a ética da profissão pode ser uma forte aliada na separação do "homem empresarial" pautado no fortalecimento do neoliberalismo, sobre o "homem do povo", homem este que está em falta na sociedade brasileira. Aliás, posso até estar enganado, mas o Brasil é um dos países que menos se formaram verdadeiras lideranças políticas nesses últimos anos capazes de aliar a esquerda e a direita em uma ideologia de Juscelino Kubitschek com o desenvolvimentismo e o investimento em infraestrutura de base.

     Aqui no meu Piauí, trago um exemplo bem firme e sólido. Se trata de João Vicente Claudino um empresário dono da multinacional Guadalajara S.A e ex-deputado federal pelo PSB. Do outro lado vemos a mais recente entrância de Valter Alencar, juiz e um dos executivos dono de uma emissora de TV, a TV Clube, afiliada a Rede Globo e concorreu ao governo do estado do Piauí em 2018. Recentemente, Romeu Zema é filiado ao Partido Novo e ex-presidente do Conselho de Administração do Grupo Zema desde o final de 2016 e foi eleito governador de Minas Gerais pelo Partido Novo.

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foto: infomoney.com.br
     São inúmeros os casos pelo Brasil onde se encontram a presença de gestores executivos adentrando no poderoso mundo da política.

     Outro dia em momento de descanso fiz login no Facebook e uma provocação igualzinha a desse texto veio a tona com uma postagem de um famoso jornal de São Paulo exaltando e vangloriando a João Dória Junior até então ex-prefeito de São Paulo e atual governador daquele estado.

       Aliás, vale lembrar que João Agripino da Costa Dória Junior o "João Dória" foi presidente da Embratur e co-fundador do grupo LIDE que reúne líderes empresariais que promovem eventos pagos até se filiar e ser eleito pelo partido do PSDB a alguns anos atrás.
Foto: www1.folha.uol.com.br

     Segundo o site de Dória, o grupo Dória é responsável por 52% do PIB privado brasileiro e é considerado uma das 100 pessoas mais influentes do Brasil segundo a revista ISTOÉ.

    Há quem diga que não se deve olhar os dados do candidato e sim o partido na qual ele está inserido e nesse contexto afirmo que essa colocação é erradíssima porque é necessário a observância tanto do lado líder e gestor empresarial, quanto pelo viés político ideológico na qual ele está inserido e quão suas ideias fazem efeito em uma sociedade.                                                                                                                                                                           Foto: www1.folha.uol.com.br

     Vale lembrar um outro caso também atual referente ao atual presidente Estados Unidos, Donald Trump. Empresário dono de multinacional e atual presidente dos EUA, que utiliza um tom agressivo nas suas colocações muitas vezes de forma mesquinha e dura com políticas de deportação de imigrantes, construindo muros e nacionalizando o país. A ética empresarial de gestores no mundo político já é uma realidade, mas também significa uma incógnita a se pensar a longo prazo.

      É claro que ainda é cedo pra tirar tais conclusões e até, quem sabe daqui a alguns anos após dessa publicação as pessoas já tenham suas opiniões formadas e então veremos como anda o funcionalismo público gerido pelos gestores empresariais e se de fato funciona. Se funcionar, perfeito, se não funcionar, voltamos a estaca zero e aos velhos políticos cascudos que não levam a política como política e sim como profissão e estabilidade financeira e concessões de cargos comissionados e privilégios absurdos. Reflitamos e formemos nossas bases. Até lá vamos a luta. Boa noite.

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