Pierre Bourdieu e o Processo Escolar de Desigualdade Social
Esses dias limpando meu quarto acabei encontrando alguns livros e alguns textos da dos tempos de Universidade e me deparei com um texto de Pierre Bourdieu. Sentei em uma cadeira e fiquei relembrando alguns temas que deixei de pesquisar talvez por preguiça ou por não me interessar muito. Muitas vezes perdemos a oportunidade de maravilharmo-nos com a riqueza de um bom artigo produzido. Pois bem, fui atrás nos meus arquivos sobre a Teoria de Bourdieu sobre a Escola e a Desigualdade Social e os efeitos que ela causa na nossa sociedade sobretudo na formação de pessoas. Nesses textos eu pude perceber algumas particularidades de suas obras tais quais:
Para Bourdieu, a escola é uma das culpadas por ser uma das instituições reprodutoras da dominação, mostrando a função do sistema de ensino que pressupõe a servir de instrumento de legitimação das desigualdades sociais e nesse aspecto ela não é libertadora, mas sim conservadora, mantendo a dominação dos dominantes sobre a classe popular, sendo representada como um instrumento de reforço das desigualdades perante a questão cultural segundo as ordens de classes.
Bourdieu critica o ‘’dom’’ desvendando as condições sociais e culturais que permitiam o desenvolvimento desse mito. Desmonta os mecanismos através das quais o sistema de ensino transforma as diferenças iniciais, sendo isso uma consequência da transmissão familiar da herança cultural em desigualdades de destino escolar.
Explora a relação com o saber, mostrando como os estudantes provenientes de famílias desprovidas do que ele chama de "capital cultural" apresentam maior dificuldade, tensiosidade, um maior esforço, enquanto que, para providos do "capital cultural" ficam marcadas assim pelo diletantismo, desenvoltura, facilidade verbal (Natural) e nessa perspectiva ao avaliar o desempenho dos alunos e a escola leva em conta, consciente ou não, esse modo de aquisição e uso do saber.
Ainda segundo Bourdieu, é necessário que a escola ignore não totalmente no âmbito conteúdista, e se empenhe ainda mais no lado humanista do indivíduo onde a escola deveria fornecer a educação para todos os indivíduos em sua singularidade e particularidade proporcionando-lhes instrumentos que possam garantir sua liberdade e também a sua ascensão social.
E finaliza o trabalho afirmar que o sistema escolar institui fronteiras sociais que separavam a grande nobreza da pequena nobreza, instaura uma ruptura entre os alunos das grandes escolas e os das faculdades. Fazendo uma análise bem direta, Bourdieu desvela assim a crueza da desigualdade social escolar já instaurada por uma causa cultural manifestada e fixada muitas vezes hereditária, pois nem sempre o indivíduo segue a mesma linhagem historico famíliar. É um tema muito bom para quem deseja saber o porquê dos fracassos e dos insucessos do aluno na atualidade. Fica a dica.
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